O ministro da Educação, José Henrique Paim, justificou, a demora na divulgação dos resultados mais recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, relativos a 2103. Segundo Paim, o governo recebeu muitos recursos dos estados e municípios e vai avaliar os questionamentos antes de divulgar o índice, que é o principal indicador da qualidade do ensino no país.

     “Este governo tem um DNA voltado para a questão da avaliação, para a divulgação de resultados. Tivemos um conjunto muito grande de recursos, 30% a mais. Nós queremos ter toda a segurança para divulgar esses números”, explicou, sem anunciar data para a apresentação dos dados.

     Paim disse que a divulgação de resultados sem a revisão pedida pelos estados e municípios pode comprometer os gestores. “Vamos fazer isso com a maior segurança, porque, na verdade, o resultado do Ideb coloca em xeque a gestão dos estados e dos municípios, por isso a gente tem todo o cuidado em julgar os recursos e estar com os dados consolidados corretamente para divulgar”, justificou.

     Perguntado sobre o eventual pedido de explicações da Comissão de Educação do Senado sobre o atraso na divulgação do Ideb, Paim disse que, se convocado, irá “com a maior satisfação esclarecer”.

     O Ideb é divulgado a cada dois anos e, nas últimas edições, os dados foram apresentados entre junho e agosto.





Fonte: Agência Brasil


     Identificar os pontos fracos na aprendizagem dos alunos, traçar metas claras para superá-los e aprimorar a gestão são algumas das boas práticas adotadas por 215 em escolas públicas que atendem a alunos de baixa renda familiar e que conseguiram melhorar indicadores educacionais entre 2007 e 2011. As práticas comuns a essas instituições e que têm permitido avanços foram identificadas pela pesquisa Excelência com Equidade, produzida pela Fundação Lemann em parceria com o Itaú BBA.

     Os anos iniciais do ensino fundamental do (1º ao 5º) foram o foco da pesquisa. A análise teve como base um universo de cerca de 15 mil escolas com estudantes de baixo nível socioeconômico e chegou a essas 215 instituições que apresentaram evolução no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2007 a 2011. Elas apresentaram resultado satisfatório na Prova Brasil 2011, com pelo menos 70% dos alunos com nível adequado em matemática e em língua portuguesa.

     A partir daí, essas escolas foram comparadas a outras de nível socioeconômico e contexto similares que tiveram desempenho semelhante no Ideb em 2007, mas não atingiram o mesmo avanço nos indicadores educacionais em 2011. No estudo qualitativo da pesquisa, buscou-se identificar as práticas e estratégias comuns das escolas que passaram pelos critérios, enquanto o estudo quantitativo procurou mapear as características dessas 215 unidades que podem explicar o sucesso e as ações que conseguiram implementar.

     Os pesquisadores constataram que um dos diferenciais é que essas instituições monitoram as deficiências e os avanços dos indicadores educacionais e fazem avaliações constantes do desempenho dos alunos e profissionais da educação. Identificados os pontos a melhorar, são traçadas metas claras, com a participação dos educadores, e planejadas as estratégias para alcançá-las. O apoio e a participação efetiva das secretarias de Educação, sejam municipais ou estaduais, são apontados pela pesquisa como fundamentais em todo o processo.

     Ao longo de todo o ano, professores, coordenadores e diretores são capazes de identificar os conteúdos que cada aluno domina e aqueles em que ainda precisa melhorar. “A vantagem desse modelo focado no aprendizado é que a escola é capaz de interferir assim que identifica um problema de aprendizagem, impedindo que os alunos fiquem para trás. O que os alunos estão ou não aprendendo é a base para a formação continuada dos professores, o reforço escolar”, registra o texto.

     Em algumas escolas, o estudo identificou o pagamento de bônus a professores e a outros profissionais que conseguem cumprir as metas estabelecidas. Um maior montante de recursos disponíveis e a gestão eficiente com foco na aprendizagem estão entre os fatores apontados como determinantes. Outro aspecto que se verifica é a baixa ocorrência de problemas como insuficiência de professores, de pessoal administrativo e recursos pedagógicos.

     “As condições, seja de infraestrutura, de cumprimento do currículo, são melhores nessas escolas do que nas demais com alunos de baixo nível socioeconômico. Nossa interpretação é que elas conseguem mais recursos do  Plano de Ações Articuladas (PAR) por programas de adesão do governo federal e de algum tipo de articulação com os estados”, disse o coordenador de projetos da Fundação Lemann, Ernesto Martins Faria.

     O cuidado com questões como segurança, organização e limpeza também estão relacionadas ao avanço no aprendizado, mostrou a pesquisa. Outro diferencial é a preocupação de diretores e professores em manter a disciplina, rotinas organizadas e assegurar a frequência e a pontualidade dos estudantes. Atividades extracurriculares, como prática de esportes e festas e apresentações estudantis, também aparecem como fatores que contribuíram.


Fonte: Agência Brasil

   


     É com grande pesar que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (SINPROESEMMA) lamenta a perda da professora Maria José Silva Nunes, diretora da Rede Estadual do Centro de Ensino Caminho do Futuro, localizada no Bairro Vila Nova em Imperatriz. A educadora veio a falecer, no dia 31 de agosto às 9:45h da manhã, quando se recuperava de uma cirurgia para tratar de complicações derivadas da bílis e do pâncreas.

     Na secretaria da escola, uma reunião quebrava o ritmo solitário deixada pela ausência do primeiro dia da professora. Das quatro mesas localizadas na sala principal, apenas alunos à espera. Os professores, mais reclusos em uma sala ao lado, procuravam se organizarem para o andamento das atividades da instituição que irá desfilar, como ao gosto de Maria José, no dia 7 de Setembro, data em que é comemorado a Independência do Brasil.
     A professora Maria Dalva de Medeiros Oliveira, que trabalha há 20 anos na Rede Estadual de Ensino, é a secretária adjunta do Caminho do Futuro, e fez questão em lembrar do legado deixado pela diretora e amiga que em muitos momentos a fizera reticente.  Com um suspiro, Dalva retomava às recordações, mas as lágrimas insistiam em cair, como se quisessem adiantar todas as lembranças daquele instante. Relutante, a educadora se mantém firme e entre pequenas pausas as lentes de seus óculos, de hastes coloridas, revelava a dor causada pela perda da profissional que a acompanhou desde seus primeiros momentos na instituição como estagiária em 1993, na alfabetização.  
    Sobre a relação entre funcionários, Maria Dalva esclarece como era ter Maria José como colega de trabalho durante cerca de vinte anos.  "Nós nunca discutimos por nada durante todo esse tempo. Erámos muito amigas! Só tenho a dizer que ela era uma pessoa acolhedora da comunidade. Sempre apaziguava tudo! Na tomada de decisões ela era muito maleável, os alunos sempre estavam em primeiro lugar”. Entre suas memórias, Dalva diz nunca esquecer de uma frase que se tornou lema da diretora, que dizia "sempre acreditar na mudança do ser para melhor".
     Dalva diz aprender o significado de colaboração e justiça com Maria José e revelou à outra companheira de serviço, a professora de biologia, Maria de Fátima Oliveira de Sousa, entre lágrimas, o zelo da diretora, "o medo dela era de te magoar, Fátima", desabafou. Em 1989, Fátima deixa a capital maranhense por Imperatriz, sede do primeiro contato com Maria José. Ela revela que passaram por muitas dificuldades e até estudaram juntas na mesma faculdade.
     Sobre o comprometimento em ajudar os outros, a professora de biologia explica a ajuda da amiga para que se tornasse secretária geral da instituição escolar, " ela lutou muito para eu ser coordenadora e secretária geral, mas nunca quis largar a sala de aula. Ela viu meus filhos crescerem... os amava... Então para mim, ela foi mais do que uma colega de serviço, era uma irmã mesmo. Sempre estávamos juntas fim de semana e feriado".
    Como legado, Fátima pontua a integridade, determinação, humanidade e a paz como pontos chaves deixados por Maria José, como valorização de todos os momentos da vida. Na sala de Maria José, sempre com uma voz trêmula, Fátima conta como foi entrar pela primeira vez na escola sem sua "irmã". "É muito difícil. Se não estivesse hoje em sala de aula seria muito raro eu ter vindo hoje. Porque todos esses dias, dormindo atribulada e acordando de madrugada, passou aquele filme na cabeça desde 1989, e de repente chegar aqui... ", desabafa reticente.
    É indiscutível a saudade deixada pela professora da instituição e o "xodozinho" de Maria José, a aluna do terceiro ano do  Ensino Médio, Kíria Mota Oliveira (17 anos), relembra de momentos e quebra o silêncio deixado pelo diálogo saudoso das companheiras da diretora, "sempre me dei muito bem com ela, até mesmo porque era uma pessoa muito amável e calma. Uma pessoa exemplar! Minha mãe costumava a dizer que a Maria José e a Dalva eram a tampa e a panela, se fosse um casamento daria muito certo". Logo a aluna esclarece o porquê do dito popular, "uma tem um cunho mais forte, que é a Dalva e a outra tinha mais paciência, aquela coisa de dar o colo, mas sempre se combinando muito bem as duas".
     Apesar da calmaria fluída de Maria José, Kíria fala dos puxões de orelhas que que ela dava em muito dos seus colegas de turma, "quando estávamos errados ela 'puxava nossa orelha'. Sempre nos aconselhava perguntando em que gostaríamos de nos formar. Questionava se estávamos fazendo provas de vestibular...". O clima era descontraído, mas as lágrimas insistiam em cair revelando a falta da professora que se mostrava em cada canto da sala por meio das fotografias emolduradas em sua mesa. " Eu não acreditei! Eu senti muito, mas muito mesmo. Pra mim foi impactante, triste!", desabafa a aluna.

    Como característica intrínseca de Maria José a calma (paz) foi relatada dentre muitas outras. O legado de exemplo e boas ações foi deixado por Maria José à todos que passaram por sua vida. O coordenador regional do SINPROESEMMA André Santos,  reconhece a importância da professora e lamenta profundamente que a educadora não esteja mais em nosso meio. “A professora Maria José contribuiu com a educação de Imperatriz e região.  Seu falecimento deixa um grande vazio em nosso meio. Solidarizamo - nos com os familiares, amigos e colegas”. A visita da professora será realizada dia 5 de setembro, sexta-feira, as 16h no cemitério Bom Jesus.



kalyne Cunha

     Professores de Nova Iorque, na região sul do estado, continuam sem perspectivas para o desfecho da greve geral dos trabalhadores em educação na cidade. A mobilização foi deflagrada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (SINPROESEMMA) no dia 14 de junho, após o prefeito da cidade não oferecer propostas para a valorização dos profissionais e melhoria da educação pública.


     Uma das pautas da categoria cobra o pagamento do abano salarial, por meio da transferência das sobras do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), recurso repassado mensalmente pelo Governo Federal para o pagamento de professores. Os docentes reivindicam que os recursos não utilizados no ano passado pelo gestor devem ser transferidos para as contas dos trabalhadores.

     Além disso, a categoria também cobra melhorias na infraestrutura das escolas e das condições de acesso aos colégios. Os trabalhadores denunciam que, para chegar às unidades de ensino, muitas vezes é necessário percorrer vários quilômetros de estrada sem asfaltos, atravessar pontes de madeiras que podem cair e, quando chegam à escola, ainda se deparam com lixo que divide o ambiente escolar.


     Segundo a coordenadora, Francisca Gonçalves Araújo, a falta de alternativas para solucionar os problemas da categoria levou os trabalhadores a deliberarem pela paralisação da rede de ensino. “Por conta da falta de diálogo, decidimos entrar em greve como último recurso na tentativa de solucionar os problemas da rede”, explica a coordenadora do núcleo do SINPROESEMMA em Nova Iorque.

      Além dos problemas de valorização e da falta de infraestrutura nas escolas, os trabalhadores enfrentam irregularidades no repasse da Previdência Social. Segundo a coordenadora do núcleo, a prefeitura não faz os repasses corretos, o que pode prejudicar na hora da aposentadoria.